sexta-feira, 27 de julho de 2007

Banheiro Feminino

Esse texto foi me foi enviado por email. Não tem o nome da autora. Mas, nunca ninguém definiu tão bem como é uma aventura no banheiro feminino. Tirando a meleca, o resto é igualzinho. Leia:

Minha mãe ficava histérica com os banheiros públicos, quando pequena me levava ao banheiro, me ensinava a limpar a tampa do vaso com papel higiênico e cobrir cuidadosamente com tiras de papel em toda a borda. Finalmente me instruía: "Nunca, NUNCA se sente em um banheiro publico".
Logo me mostrava "A posição" que consiste em se equilibrar sobre o vaso em uma posição de sentar sem que o corpo entre em contato com o vaso. Isso foi há muito tempo, mas ainda hoje em nossa idade adulta, "a posição" é dolorosamente difícil de manter quando a bexiga está quase estourando.
Quando você "tem que ir" a um banheiro público, sempre encontra uma fila de mulheres que te faz pensar que as cuecas do Brad Pitt estão à venda pela metade do preço. E assim espera pacientemente e sorri amavelmente às outras mulheres que também estão discretamente cruzando as pernas. Finalmente é a sua vez, você olha cada cubículo por baixo da porta pra ver se não há pernas. Todos estão ocupados, mas finalmente uma porta se abre e você entra quase jogando a pessoa que está saindo. Você entra e percebe que o trinco não funciona, mas não importa...
Você pendura a bolsa no gancho que tem atrás da porta e, se não tem gancho, você a pendura no pescoço mesmo, enquanto se equilibra, sem contar que a alça da bolsa quase corta a sua nuca, porque está cheia de porcarias que você foi jogando dentro, das quais não usa a maioria, mas as tem aí, para o caso de "e se eu precisar?"
Mas, voltando à porta.. como não tinha trinco só lhe queda a opção de segurá-la com uma mão, enquanto com a outra você abaixa a calcinha e fica "em posição"... Alívio... ahhhhhh... mais alívio, aí é quando suas pernas começam a relaxar e você adoraria sentar, mas não teve tempo de limpar o vaso e nem cobrir com papel, nessa hora você quase tem um treco de tão aliviada, ai dá uma desequilibrada e erra a mira. Pronto, o suficiente pra ficar molhada até as meias, e é obvio que dá pra notar.
Para afastar o pensamento dessa desgraça, você procura o rolo de papel higiênico... maaaas.. hehehe, o rolo tá vazio! E as suas pernas continuam querendo relaxar. Ai você lembra de um pedacinho de papel que tá na bolsa, meio usado porque você já limpou o nariz com ele, mas vai ter que servir, você amassa ele pra absorver o máximo possível, mas ele é muito pequeno, e ainda está sujo de meleca.
Nisso alguém empurra a porta e, como o trinco não funciona, você recebe uma baita portada na cabeça. Aí você grita "tem genteeeeee" enquanto continua empurrando a porta com a mão livre e o pedacinho de papel que você tinha na mão cai exatamente em uma pequena poça que tinha no chão e você não sabe se é água ou xixi... ehehe ai você vai de costas e desequilibra, caindo sentada no vaso.
Você se levanta rapidamente, mas já é tarde, seu traseiro já entrou em contato com todos os germes e formas de vida do vaso porque VOCÊ não o cobriu com papel higiênico, que de qualquer maneira não havia, mesmo se você tivesse tido tempo de fazer isso.
Sem contar o golpe na cabeça, o quase corte na nuca pela alça da bolsa, espirrada de xixi nas pernas e nas meias, que ainda estão molhadas... a lembrança de sua mãe que estaria terrivelmente envergonhada de você, porque o traseiro dela nunca sequer tocou o assento de um banheiro público, porque francamente, "você não sabe que tipo de doença poderia pegar ai". Mas a aventura não termina ai... agora a descarga do banheiro, que está tão desregulada que jorra água como se fosse uma fonte e manda tudo para o esgoto com tanta força que você tem que se segurar no porta-papel (quando tem) com medo de que aquele negócio te leve junto e te mande para China. Ai é finalmente quanto você se rende, está ensopada pela água que saiu da privada como uma fonte.
Você está exausta. Tenta se limpar com uns papeizinhos de chiclete TRIDENT que estavam na bolsa e depois sai discretamente para a pia. Você não sabe muito bem como funcionam as torneiras automáticas também, e então dá uma limpadinha nas mãos com saliva mesmo e seca com toalha de papel. E sai passando pela fila de mulheres que ainda estão esperando com as pernas cruzadas e nesse momento você é incapaz de sorrir cortesmente. Uma alma caridosa no fim da fila te diz que você está com um pedaço de papel higiênico do tamanho do rio Amazonas grudado no sapato! Você puxa o papel do sapato e joga na mão da mulher que disse que tava grudado e lhe diz suavemente: "Toma! Você vai precisar!" e sai.
Nesse momento, seu namorado ou marido que entrou, usou e saiu do banheiro masculino e teve tempo de sobra pra ler "Guerra e Paz" enquanto esperava,te pergunta: "Porque demorou tanto?"
É nessa hora que você dá um chute no saco dele e o manda pra puta que o pariu! Isto é dedicado a todas as mulheres de todas as partes do mundo que já tiveram que usar um banheiro público. E finalmente explica a vocês, homens, por que nós demoramos tanto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 22 de julho de 2007

Meu canteiro de rosas e flores

Foto tirada em Bananeiras - Rota Cultural do Frio - Julho 2007.
Foto tirada em Bananeiras - Rota Cultural do Frio - Julho 2007.



Foto tirada em Bananeiras - Rota Cultural do Frio - Julho 2007





Foto tirada em Bananeiras - Rota Cultural do Frio - Julho 2007



quarta-feira, 11 de julho de 2007

Odisséia da Carteira de Motorista


1º dia
É uma verdadeira “Odisséia”, igual a que Homero viveu na Grécia Antiga, tirar a carteira de motorista ou mesmo renovar a habilitação do Departamento de Trânsito de João Pessoa, na Paraíba (Detran/PB). O cidadão precisa dispor de dois dias, no mínimo, isto, é, se nenhum equipamento quebrar (é lógico!) para se tornar apto a adquiri-la.
No primeiro dia você pega na Casa da Cidadania do Shopping Tambiá ou mesmo lá no Detran, uma lista de documentos que você precisa tirar cópia e uma guia de pagamento no valor de R$ 90,72. Órgão funciona apenas pela manhã, no horário de 8h00 até 13h00. De forma que você perde a manhã inteira. Nem adianta chegar cedo, porque os aborrecimentos são os mesmos.

2º dia
Documento fotocopiado, taxa paga, com tudo em cima, o cidadão, que paga impostos, feliz da vida pensando que agora é só chegar lá e pronto, tudo resolvido, se encaminha para o órgão que está localizado no bairro de Mangabeira 7. Ao estacionar o veículo você de cara é recepcionado por um vendedor de bugigangas para automóveis. É uma luta para se livrar desse sujeito que quer te vender até a mãe se for preciso.
Ao pisar no lugar você logo se depara com uma porta azul, que você pensa que é a porta do céu. Um monte de pessoas circulando, cruzando na sua frente, falando alto e ao telefone celular. Algumas filas, lugar para cafezinho e lanchinho. Pensei: “Puxa... o negócio aqui parece ser organizado mesmo”. Ao sair do azul do céu eis que me deparo com o primeiro empecilho. A primeira coisa que preciso saber é onde fica o setor de renovação das carteiras de habilitação.
Procuro alguém do local para me prestar uma informação. “Moça, com licença, por favor, bom dia. Onde posso renovar minha carteira de motorista?” Recebo como resposta um “ali” sendo indicado com os beiços. Tentei seguir a sinalização beiçal e mais à frente voltei a perguntar. “Moço, bom dia, por gentileza, onde fica o setor de recadastramento das carteiras de motorista?” “No próximo bloco, é só virar a esquerda”.
Pensei comigo: “Ufa! Até que enfim cheguei. Acho que é aqui”. Eis que me deparo com outra porta de vidro azul. Pensei novamente comigo: “Acho que agora é o paraíso”. Ao entra logo na minha frente vejo um letreiro escrito “Informações” e para lá que me dirijo. Entro na fila. Chegada a minha vez, pergunto: “Moço, bom dia, por gentileza, como faço para renovar minha carteira de motorista?”. O sujeito, que nem olha para seu rosto diz: “Você já pagou tudo?”. “Já”, respondi. “Então se dirija ao guichê 3”, disse ele.
De posse da tal ficha, número 3, me dirijo até o caixa de mesmo número. No caminho penso comigo superticiosamente: “Acho que 3 é meu número da sorte, ou não”. Chego lá fico em pé, esperando minha vez de ser atendida. É quando percebendo meu deslocamento o caixa no 3, com sorriso meio vazio, me diz com a delicadeza de um urso que não me atende. Então pergunto: “Quem me atende então? Pois estou com uma ficha número três cedida pelo setor de informações”. Com a mesma leveza do urso ele responde: “Só não sou eu”. “Mas, o senhor não é caixa número 3?”, indago novamente. “Não, mas não é comigo não. Vá para esse outro”, verberou o urso. Eu disse: “Bem, mas, como me disseram que era para vir no caixa 3, estou com a ficha 3, então para onde vou? Me desculpe, mas eu não tenho nada a ver com isso e é o senhor quem deve me atender, pois estou na vez”. Compadecida com minha paciência e chocada com a impaciência do urso, a caixa número 4, esse sim o número da sorte, pede que espere só mais um pouco que ela irá me atender.
Espero uns 20 minutos aproximadamente. Ela pega meus papéis, registra no seu computador e diz que tenho agora que tirar uma foto digitalizada no setor do lado, para em seguida retornar a ela para que a mesma dê o parecer. Faço tudo passo a passo. Quando retorno, a mesma diz que agora preciso fazer um exame de vista e um provão de primeiros socorros e direção defensiva junto com outros tantos candidatos. E lá vou eu novamente.
Na sala de exame de vista sou logo atendida. A médica oftalma pede que olhe num aparelho e soletre umas letrinhas. Como se exame oftalmológico fosse apenas ler algumas letrinhas. Depois sigo para sala do provão que estava cheia. Candidatos novos e antigos. Exames feito saiu da sala com a promessa de que no outro dia terei em mãos a minha nova habilitação.

3o dia
No terceiro dia faço o mesmo percurso de entrada. Desta vez eu já sei o caminho. Chegando lá entro na fila para pegar a minha “carta” de habilitação, como dizem os sulistas. E para minha surpresa a carta-carteira-documento de motorista não estava pronta. Uma foca de brinquinho que me atendeu pede que eu me encaminhe até outro setor para saber por qual motivo o documento ainda não havia sido emitido.
Entro no tal setor que tem duas salas. Na primeira dois funcionários fazem a triagem do que chega e indica alguma pessoa resolva atrás de uma divisória com cerca de 12 a 15 funcionários para atender e resolver todos os pepinos que aparecem. Entro e peço a informação e um senhor aparentando seus 50 anos e com o nome esquisito me pede que fale com uma outra senhora. A mesma me diz que a máquina de impressão das carteiras quebrou e devo voltar amanhã. Digo que não posso voltar, pois preciso da carteira para viajar. Ela me diz: “Se quiser esperar até o final do expediente fique a vontade”.
O tal setor milhares de pessoas se cruzam e algumas cruzam mesmo. Outros usam bastante as mãos e elas são ágeis. Nelas papéis que compram a felicidade e dinheiro que valem papéis e que também compram a felicidade. Essas trocas são constantes em todos os setores do Detran.
Nesta fábrica de fazer papéis e dinheiro a custa de 4 ou 2 rodas as práticas são absurdas. Neste setor tem os pavões e as carniças. Os pavões (superiores) usam paletó e deles saem um cheiro forte. Eles chegam sempre acompanhados de alguém a tiracolo, geralmente um apadrinhado dele. Os pavões parecem voar, mas não voam, mas também são ágeis. Eles entram e saem rapidinho sem fazer alarde.
Os carniceiros, que são os atravessadores de carteiras, por sua vez, são sutis, mas igualmente rápidos. Entram no setor e acenam para os funcionários. Dão apertos de mão, trocam papéis, colocam as mãos nos bolsos. Eles entram sem fazer alarde. De repente, como num passe de mágica eles pulam de setor. Da salinha pequena da entrada passam a circular na salona onde estão todos os funcionários. Lá eles conversam e trocam papéis e apertos de mão.
Neste setor os homens constantemente coçam o saco, puxam e depois levam as mãos à boca. As mulheres comem, são chacoteadas pelos homens, gracejos e piadas de mau gosto. Transformam o local na feira da sulanca. No setor não tem câmeras de fiscalização, mas tem um funcionário assistindo televisão.
Cheguei no local de 8h30. O relógio do meu celular marca 10h20. No local agora é a hora do lanche. Todos os funcionários do setor, onde espero a entrega do meu documento, se reúnem numa mesinha e fazem sua sociabilidade. No recreio eles coçam, interagem, conversam e sorriem. E como eles dão risada. Eis que chega a fêmea do pavão, que prefiro chamar de pavôa, bem vestida e elegante. Ela parece ser a supervisora do setor. A pavôa circula, pega papeis, da ciscadinha e vai embora.
Os funcionários não exibem crachás. Ninguém sabe os seus nomes e nem suas funções. Os únicos que sabem são os carniceiros e os pavões, que chamam eles de amigos e companheiros. É quando do meu lado senta um taxista e me pergunta se sou taquigrafa ao me ver escrevendo desesperadamente. Conversando ele se queixa, resmunga, não agüenta e vai embora.
Como esqueci de levar um livro para matar o tempo saquei uma folha e comecei escrever essas linhas que deixo publicada neste blog que não sei quem possa ter interesse em ler. Por isso quando forem ao Detran levem um livro de preferência com muitas páginas. Um livro que não seja o clássico da Odisséia de Homero, nem 2001 uma Odisséia no Espaço.

Fase Final

Exatamente às 11h30 recebo o documento. Pego e confiro os dados. Nenhum erro. De posse do documento pego o carro e vou embora enfrentar o trânsito de João Pessoa. No trajeto de Mangabeira 7 a minha casa, em Tambiá, começo a perceber como existem carros circulando na cidade e quantas pessoas pagam R$ 90,00 ou mais por uma carteira de motorista. É realmente uma fábrica de fazer dinheiro.
De acordo com as estatísticas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) em 2003, a cidade de João Pessoa tinha uma frota de 122.164 veículos. Em março de 2007, segundo o próprio site do órgão, 151.468 veículos circulam pela cidade. Destes 3.622 são caminhões e 915 ônibus. Isso sem falar nos transportes alternativos e veículos de grande porte. Multipliquem essa quantidade aos R$ 90,00 de taxa que é pago a cada renovação de habilitação. É muita grana que tramita dentro dos órgãos de trânsito. Isso sem computar as taxas de emplacamento e outros serviços. Resta-nos perguntar, sem perguntar: Para onde vai o dinheiro de nossos impostos?

Adriana Crisanto

teste

Isso é apenas um teste de um outro blog que estou criando...
Adriana Crisanto
João Pessoa, Paraíba, 11 de julho de 2007.